{"id":2965,"date":"2019-05-15T07:37:04","date_gmt":"2019-05-15T10:37:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/?p=2965"},"modified":"2019-05-15T07:37:04","modified_gmt":"2019-05-15T10:37:04","slug":"procura-por-parto-humanizado-hospitalar-avanca-no-cariri","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/?p=2965","title":{"rendered":"Procura por parto humanizado hospitalar avan\u00e7a no Cariri"},"content":{"rendered":"<p>A equipe em que Thaynnara atua atende a cerca de 30 a 36 mulheres, por ano, na regi\u00e3o do Cariri<\/p>\n<p><span class=\"media__credit\">Foto: Daniele Campos<\/span><\/p>\n<p>Com uma forma mais &#8220;humana&#8221; e &#8220;acolhedora&#8221;, foi assim que nasceu a pequena Mariana no dia 27 de mar\u00e7o, no Hospital S\u00e3o Camilo, em Crato. A m\u00e3e, a professora e advogada Patr\u00edcia Oliveira, optou por contratar uma equipe multidisciplinar que trabalha com parto humanizado, m\u00e9todo em que o respeito \u00e0 mulher como protagonista \u00e9 fundamental. A procura por este tipo de procedimento, seja domiciliar ou realizado nas unidades de sa\u00fade, tem crescido na regi\u00e3o do Cariri nos \u00faltimos anos e, aos poucos, quebra o tabu sobre dar \u00e0 luz como um momento de dor.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um momento sens\u00edvel na sa\u00fade f\u00edsica e emocional. \u00c9 importante ter o acompanhamento que voc\u00ea confie, que sua vontade ser\u00e1 respeitada&#8221;, resume Patr\u00edcia. A advogada conheceu este tipo de parto atrav\u00e9s de amigas, antes mesmo de engravidar. Com a gesta\u00e7\u00e3o, passou a se informar ainda mais<\/p>\n<p>A obstetra Jamilly Ferreira explica que o termo &#8220;humaniza\u00e7\u00e3o&#8221; vem do pressuposto de respeitar a aten\u00e7\u00e3o da mulher. &#8220;A gente tem toda uma equipe multidisciplinar para acompanhar o caso&#8221;, explica. Al\u00e9m dos m\u00e9dicos, a equipe pode ser composta por uma ou mais doulas &#8211; assistentes que acompanham a m\u00e3e desde os primeiros meses de gesta\u00e7\u00e3o at\u00e9 as primeiras semanas de parto -, um t\u00e9cnico de enfermagem e um anestesista. Este \u00faltimo, somente em alguns casos.<\/p>\n<p>Um dos trabalhos fundamentais \u00e9 diminuir a ansiedade da paciente ou de algum familiar que a acompanha, com o desafio de tornar o parto, tido como sofrimento, em um momento prazeroso. No pr\u00f3prio Hospital S\u00e3o Camilo a equipe j\u00e1 conta com recursos auxiliares como banheira com banho de \u00e1gua morna, que diminui a dor e desenvolve m\u00e9todos complementares, como a aromaterapia &#8211; utiliza\u00e7\u00e3o de \u00f3leos essenciais ou outro tipo de fragr\u00e2ncia para melhorar o bem-estar f\u00edsico e psicol\u00f3gico da mulher.<\/p>\n<p>Para isso, o papel da doula tamb\u00e9m \u00e9 fundamental, pois, auxilia nos exerc\u00edcios que favorecem a descida do beb\u00ea no canal de parto, consequentemente, diminuindo o tempo. &#8220;Tem o exerc\u00edcio da borboleta, que abre os ossos da bacia, favorecendo a sa\u00edda do beb\u00ea e as dancinhas que mant\u00eam as mulheres em posi\u00e7\u00f5es verticais e mexendo o quadril, que ajuda a ritmar as contra\u00e7\u00f5es e torn\u00e1-las mais frequentes&#8221;, descreve Thaynnara de S\u00e1 Barreto, enfermeira obstetra que atua como doula.<\/p>\n<p>Thaynnara se formou em Enfermagem h\u00e1 10 anos e, por dois anos de curso, atuou em um projeto que j\u00e1 trabalhava com assist\u00eancia humanizada. &#8220;Sempre me identifiquei muito&#8221;, garante. Por isso, resolveu fazer especializa\u00e7\u00e3o em obstetr\u00edcia. Na cl\u00ednica m\u00e9dica, conheceu a atua\u00e7\u00e3o da doula atrav\u00e9s do grupo Roda Semear, mas a metodologia domiciliar ainda n\u00e3o a atra\u00eda.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, quando teve seu primeiro filho, a enfermeira sofreu viol\u00eancia obst\u00e9trica. Segundo ela, o m\u00e9dico cansou de esperar o parto normal e realizou o procedimento no m\u00e9todo cesariano &#8220;sem indica\u00e7\u00e3o real nenhuma&#8221;, lembra. &#8220;Tive um p\u00f3s-parto horroroso&#8221;, acrescenta. Sete meses depois, conheceu a m\u00e9dica Patr\u00edcia Alencar, obstetra, que explicou sua metodologia e a convidou a participar de sua equipe como doula.<\/p>\n<p>Traumas<\/p>\n<p>Muitas vezes, as mulheres sofrem viol\u00eancia obst\u00e9trica. &#8220;Tem paciente que chega sem saber at\u00e9 que vai ter dor ou que tem direito a acompanhante, que \u00e9 permitido por lei, mas muitos m\u00e9dicos n\u00e3o a obedecem. N\u00e3o oferecem direito de a mulher escolher em que posi\u00e7\u00e3o vai parir. Isso acontece, seja no servi\u00e7o p\u00fablico ou particular&#8221;, explica Thaynnara.<\/p>\n<p>A enfermeira conta que dois procedimentos, em especial, s\u00e3o muito utilizados durante o nascimento, e as mulheres sequer s\u00e3o consultadas. O primeiro deles \u00e9 a episiotomia, no qual \u00e9 feita uma incis\u00e3o na regi\u00e3o do per\u00edneo, \u00e1rea entre a vagina e o \u00e2nus, para ampliar o canal de parto. Seu uso s\u00f3 se justifica em alguns casos, mas sua utiliza\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 frequente. O outro \u00e9 a manobra de Kristeller, que consiste na aplica\u00e7\u00e3o de press\u00e3o na parte superior do \u00fatero com objetivo de facilitar a sa\u00edda do beb\u00ea. &#8220;H\u00e1 diversos artigos contraindicando os dois. S\u00e3o violentos, abusivos e perigosos para a sa\u00fade da mulher&#8221;, acredita.<\/p>\n<p>Uma mulher que pediu para n\u00e3o se identificar conta que foi v\u00edtima de viol\u00eancia obst\u00e9trica por um m\u00e9dico do Cariri. &#8220;Me colocaram na maca e n\u00e3o podia caminhar ou sair da sala. Ele conduzia a hora que deveria colocar for\u00e7a e quando n\u00e3o colocar&#8221;, lembra. Por conta da demora no nascimento, foi feita uma episiotomia que, hoje, ela acredita ter sido desnecess\u00e1ria.<\/p>\n<p>A paciente, por\u00e9m, s\u00f3 se deu conta de que havia sido v\u00edtima de viol\u00eancia obst\u00e9trica quando engravidou do seu segundo filho. A partir de ent\u00e3o, come\u00e7ou a pesquisar sobre planos de parto e os direitos que as mulheres t\u00eam e optou pelo parto humanizado. &#8220;Como eu queria ter normal novamente, mas tinha ficado com o trauma do que tinha acontecido, n\u00e3o queria a press\u00e3o de algu\u00e9m mandando. A\u00ed fui para palestras, ler a respeito de parto, plano de parto e conheci a figura da doula&#8221;.<\/p>\n<p>O mesmo m\u00e9dico tamb\u00e9m a acompanhou no segundo nascimento, mas a viol\u00eancia come\u00e7ou j\u00e1 no pr\u00e9-natal, quando afirmou que o beb\u00ea estava crescendo muito. &#8220;Fez essa press\u00e3o psicol\u00f3gica. Mas consegui outra m\u00e9dica para fazer meu parto, porque sabia que ele ia sugerir fazer cesariana&#8221;, conta. Com a demora no nascimento, o obstetra continuou tentando convenc\u00ea-la a fazer no modelo cir\u00fargico, mas n\u00e3o foi preciso. &#8220;Uma das viol\u00eancias era come\u00e7ar em dieta zero e o trabalho de parto normal precisa se alimentar, de for\u00e7a. Eu briguei com ele. Tanto \u00e9 que n\u00e3o voltei mais pra ele&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Den\u00fancias como esta motivaram Patr\u00edcia Oliveira a procurar o parto humanizado para o nascimento de Mariana, hoje com um m\u00eas de vida. &#8220;A prepara\u00e7\u00e3o al\u00e9m de f\u00edsica, \u00e9 muito psicol\u00f3gica. Tem a ver com muitos tabus e com uma carga social e cultural muito forte. Mexe com os medos&#8221;. Com os procedimentos violentos narrados como rotina, ela procurou desconstruir isso assistindo a filmes e conversando com outras pessoas sobre parto.<\/p>\n<p>Para Patr\u00edcia, uma das coisas fundamentais foi a prepara\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica dela e do marido, que acompanhou o processo. &#8220;\u00c9 uma coisa muito \u00edntima. Eu passei boa parte do trabalho de parto em casa, com meu companheiro dando assist\u00eancia a mim, at\u00e9 a chegada da doula&#8221;, conta. J\u00e1 no hospital, seu pr\u00f3prio companheiro cortou o cord\u00e3o umbilical e os primeiros cuidados com Mariana foram feitos na sala de casa, com o casal acompanhando. &#8220;Na l\u00f3gica do parto humanizado, os procedimentos com o beb\u00ea s\u00e3o importantes. Foi muito especial, muito bonito. \u00c9 algo que foi muito pessoal, que foi respeitado. A experi\u00eancia \u00e9 muito boa, porque participei desse momento da minha vida. Isso \u00e9 inexplic\u00e1vel&#8221;, exalta a advogada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A equipe em que Thaynnara atua atende a cerca de 30 a 36 mulheres,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2966,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[15,16],"tags":[],"class_list":["post-2965","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-iguatu","category-regional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2965"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2965\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2967,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2965\/revisions\/2967"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2966"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}