{"id":2794,"date":"2019-05-06T11:04:38","date_gmt":"2019-05-06T14:04:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/?p=2794"},"modified":"2019-05-06T11:04:38","modified_gmt":"2019-05-06T14:04:38","slug":"2794-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/?p=2794","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<div class=\"c-article__photo-featured\">\n<figure class=\"media media--wide\"><figcaption class=\"media__caption\">Alunos durante aula de anatomia no Laborat\u00f3rio de de Anatomia e Disseca\u00e7\u00e3o Humana da UFC. <span class=\"media__credit\">Foto: Jos\u00e9 Leomar<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"c-article-tools c-article-tools--aside\">\n<div class=\"c-tools\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"c-article-content\">\n<p>Abrir o jornal e se deparar com o edital, no m\u00ednimo, inusitado e curioso. &#8220;<strong>Edital de cad\u00e1ver n\u00e3o reclamado<\/strong>&#8220;. Se voc\u00ea \u00e9 um leitor atento, j\u00e1 deve ter visto o an\u00fancio. A express\u00e3o t\u00e9cnica, fria at\u00e9, esconde um drama que vai al\u00e9m de um corpo sem fam\u00edlia para sepult\u00e1-lo, anunciado nas p\u00e1ginas. Diz respeito a uma dificuldade antiga, mas presente, e que, de uma forma quase impercept\u00edvel ao cidad\u00e3o comum, afeta a todos os brasileiros. O desafio de conseguir corpos para estudo de Anatomia nas escolas m\u00e9dicas.<\/p>\n<p>Os editais s\u00e3o uma das exig\u00eancias atuais para que os chamados corpos &#8220;n\u00e3o reclamados&#8221;, antes chamados de &#8220;<strong>indigentes<\/strong>&#8220;, possam ser doados para universidades. Tratam-se de cad\u00e1veres identificados, mas que foram abandonados ou cujas fam\u00edlias n\u00e3o foram localizadas. O an\u00fancio no jornal traz detalhes de nome e caracter\u00edsticas f\u00edsicas do morto, al\u00e9m da indica\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o que receber\u00e1 o corpo caso n\u00e3o seja reivindicado dentro dos prazos legais. Um processo que, no geral, dura muitos meses e dificulta o acesso dos estudantes ao objeto de estudo. A escassez vem prejudicando o ensino.&#8221;Tivemos que suspender a pr\u00e1tica dissecat\u00f3ria. Ela ficou restrita ao professor, ao t\u00e9cnico de<strong> Anatomia<\/strong>, aos monitores e \u00e0queles alunos mais apaixonados pelo assunto&#8221;, explica Herivan Fa\u00e7anha, professor do Departamento de Morfologia da <strong>Universidade Federal do Cear\u00e1<\/strong> (UFC). Segundo ele, foi preciso &#8220;mudar a estrat\u00e9gia de ensino&#8221;. &#8220;Antes, a gente dava oportunidade ao aluno para dissecar. Agora, s\u00f3 fazemos a demonstra\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Para o professor, a aus\u00eancia de cad\u00e1veres vi\u00e1veis prejudica, principalmente, a forma\u00e7\u00e3o de futuros cirurgi\u00f5es. &#8220;Aquele aluno que n\u00e3o dissecou durante o curso da \u00e1rea de sa\u00fade, um m\u00e9dico, um cirurgi\u00e3o dentista, n\u00e3o fica inviabilizado de se especializar numa atividade cir\u00fargica. Agora, \u00e9 verdade que ele vai chegar menos preparado, com menos habilidade&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Mesma opini\u00e3o tem a professora Delane Gondim, da UFC. &#8220;Muitos alunos est\u00e3o saindo das institui\u00e7\u00f5es de ensino sem essa pr\u00e1tica. E esses mesmos alunos v\u00e3o chegar no mercado de trabalho e v\u00e3o aprender diretamente no ser vivo. Isso para mim \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o&#8221;, alerta.<\/p>\n<h3><strong>Raros<\/strong><\/h3>\n<p>At\u00e9 o final do s\u00e9culo passado, o cen\u00e1rio era bem diferente. Os corpos &#8220;n\u00e3o reclamados&#8221; eram mais numerosos. N\u00e3o havia lei, nem crit\u00e9rios claros para aquisi\u00e7\u00e3o desses cad\u00e1veres, e a identifica\u00e7\u00e3o era muito mais dif\u00edcil sem a tecnologia atual. Com acesso f\u00e1cil e a falta de controle, praticamente, todo estudante de Medicina conseguia ter acesso a um corpo para dissecar. Em 1992, a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser regulamentada com a san\u00e7\u00e3o, pelo ent\u00e3o presidente Itamar Franco, da<strong> Lei Federal 8.501<\/strong>. A legisla\u00e7\u00e3o foi fundamental para ampliar a transpar\u00eancia das doa\u00e7\u00f5es, mas teve efeitos colaterais, como a diminui\u00e7\u00e3o da chegada dos cad\u00e1veres nas universidades.<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, o momento mais cr\u00edtico se deu a partir de 2008. Sem regulamenta\u00e7\u00e3o estadual espec\u00edfica e sem crit\u00e9rios claros sobre a escolha das universidades que receberiam os corpos, todas as doa\u00e7\u00f5es legais de cad\u00e1veres n\u00e3o-reclamados foram judicializadas. E a demora dos processos levava \u00e0 inviabiliza\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as para estudo. &#8220;A UFC passou cerca de<strong> oito anos sem receber corpos<\/strong>&#8220;, explica Fa\u00e7anha. Situa\u00e7\u00e3o semelhante se repetiu nas outras sete escolas m\u00e9dicas, particulares e p\u00fablicas, do Cear\u00e1.<\/p>\n<h3><strong>Corpos deteriorados<\/strong><\/h3>\n<p>Cerca de 1.440 alunos passam, por ano, pelo Laborat\u00f3rio de Anatomia e Disseca\u00e7\u00e3o Humana da UFC, que <strong>s\u00f3 possui 13 corpos inteiros <\/strong>no Departamento de Morfologia. Algumas pe\u00e7as humanas est\u00e3o na universidade h\u00e1 d\u00e9cadas. A intensa manipula\u00e7\u00e3o tornou uma boa parte<strong> impr\u00f3pria para estudo<\/strong>. &#8220;A pe\u00e7a j\u00e1 est\u00e1 num alto estado de deteriora\u00e7\u00e3o pelo manuseio. Ela vai se desgastando, mas, infelizmente, a gente tem que mant\u00ea-la. Em algumas, j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 para ver algumas estruturas e temos que alternar. Na pe\u00e7a X d\u00e1 para ver a art\u00e9ria tal, na outra j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1&#8221;, explica Helson Silveira, coordenador do <strong>Laborat\u00f3rio de Plastina\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Os alunos sofrem, na pr\u00e1tica, a dificuldade de aprendizado. Aristea Ribeiro, graduanda do 9\u00ba semestre do curso de Odontologia, afirma que &#8220;tem estruturas que a gente estuda precisa procurar num atlas para realmente ver que aquilo existe. Porque a pe\u00e7a est\u00e1 t\u00e3o velha, j\u00e1 passou pela m\u00e3o de tantos alunos, que, por mais que tenha havido cuidado, est\u00e1 desgastada. Ent\u00e3o, na teoria, o professor diz &#8216;aqui que tem tal estrutura, tem tal nervo, tem tal art\u00e9ria, mas voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o conseguir ver&#8217;. A\u00ed a gente vai no atlas de Anatomia para conferir&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"c-gallery\"><\/figure>\n<div class=\"l-column\">\n<div class=\"c-article__main\">\n<div class=\"c-article-content\"><\/div>\n<\/div>\n<p><a id=\"pagination\" href=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/editorias\/metro\/carencia-de-corpos-para-estudo-prejudica-aprendizado-medico-1.2095758#\"><\/a><\/p>\n<footer class=\"c-article__footer\">\n<div class=\"c-article-tools c-article-tools--footer\">\n<div class=\"tags\"><\/div>\n<\/div>\n<\/footer>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"c-article-content\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alunos durante aula de anatomia no Laborat\u00f3rio de de Anatomia e Disseca\u00e7\u00e3o Humana da&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2795,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[22,17],"tags":[],"class_list":["post-2794","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2794"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2794\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2796,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2794\/revisions\/2796"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tribunaregional.jor.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}